sexta-feira, 1 de novembro de 2019

De Gavião a Cruzeiro


Entramos no mês de novembro. Mês de comemoração do aniversário do nosso Cruzeiro, que completará 60 anos no próximo dia 30. Jubileu de diamante, todo aniversário em números redondos recebe ainda mais celebrações. Nem sempre foi assim. Até 1987 o Cruzeiro era primo pobre do Plano Piloto de fato e de direito. Não tinha uma identidade administrativa própria no contexto do DF. E em meio a tanta falta de cuidados do governo, partiu da ARUC, por meio de seu departamento cultural, a iniciativa de identificar qual a data de nosso aniversário. Ao longo de seus primeiros 28 anos não se comemorava a origem da comunidade. Foi só com o trabalho de pessoas como Claudio Moreno, Ismael, José César, Helio dos Santos e outros abnegados que se chegou a uma data de referência baseada na entrega da primeira casa a uma família. O Cruzeiro não teve inauguração. É como aquela criança que não foi registrada pelo pai ao nascer, e só depois, já adulto foi reconhecido como tal e ganhou sua certidão. Foi preciso a dedicação de seus moradores, por meio de sua principal instituição cultural, em um pesquisa de fundamental importância para nossa identidade local, para hoje podermos comemorar os 60 anos do Cruzeiro. Independente da programação a ser desenvolvida pelo GDF, que o mês de novembro seja o momento de celebrarmos o amor por este nosso pedaço de chão, nosso "Torrão natal" como diz Adamor Maciel da Academia Cruzeirense de Letras. Desde a chegada dos primeiros trabalhadores que ergueram as casas, como a família de Chico Bombeiro e os primeiros a receberem as chaves como a família de dona Ivoone Araújo até os moradores recém chegados, e aqueles que mesmo longe mantém seus laços com este canto: vamos todas celebrar! Pois como eu sempre digo: QUEM É MANEIRO, MORA E VIVE NO CRUZEIRO!

Rafael Fernandes de Souza, professor de História. Gosta tanto do Cruzeiro que é presidente do Conselho regional de cultura, membro fundador da Academia Cruzeirense de Letras e diretor administrativo da ARUC.

sábado, 19 de outubro de 2019

Na cidade do Dr. Rupert

Um dos mais importantes personagens de Dynamis Érrion é o dr. Rupert von Joter. Um cientista alemão que fugiu da Alemanha nazista com sua família quando criança, foi para os EUA, e depois já adulto, veio para o Brasil, onde virou professor temporário de Ciências e acabou conhecendo o Dinâmico Erre logo no início da carreira.
Este passado do personagem é contado no Almanaque dos 20 anos onde temos as fichas dos personagens com dados completos, como por exemplo, a cidade de nascimento. E consta lá: Düsseldorf (Alemanha).

Pois eu estou em viagem à Alemanha. Vim conhecer a Feira do Livro de Frankfurt (este relato está no blog da Academia Cruzeirense de Letras), mas antes, passei para conhecer a terra natal de um dos meus personagens. Foi na sexta-feira, dia 18.



E por que eu decidi que o Rupert seria de Düsseldorf? Lembro que quando fiz uma reelaboração de todos os personagens para dar a eles um formato mais completo, eu tinha acabado de entrar para a UnB e vivia na Biblioteca Central procurando livros para inspirar ideias. Tinha um personagem alemão e não sabia muita coisa sobre o país. Foi quando achei um dicionário alemão-português e gostei da sonoridade de alguns nomes. O até então apenas doutor, ganharia o nome completo de Rupert von Joter e foi quando li o nome da cidade pela primeira vez, e ela foi a escolhida. Simples assim.

A família von Joter é então toda originária de Düsseldorf: além de Rupert, seus irmãos Johann e Erik e seus pais, que mesmo não sendo judeus, preferiram deixar a Alemanha com a ascensão do nazismo. E para fazer jus a sua origem, todos são torcedores do Fortuna, clube de futebol local. Toda esta construção do personagem me motivou a incluir a cidade em meu roteiro na Alemanha. E gostei do que vi. A cidade é muito bonita e agradável. Passei apenas uma tarde, mas foi legal imaginar como teria sido a infância do velho Rupert por estas ruas nos anos trinta. Quando a gente cria personagens, passa toda uma vida, mesmo que ficcional, por nossa cabeça.



E para ficar marcado este momento, fiz questão de deixar um exemplar do livro Dynamis Érrion na Biblioteca pública da cidade. Não sei se a atendente entendeu bem  o que eu quis dizer (falei em um inglês bem meia boca), mas o livro está lá. Talvez seja a única obra em português no acervo, mas é o livro do Dinâmico na terra do doutor Rupert.

domingo, 16 de junho de 2019

Dýnamis Érrion 3 na Feira do Livro


Finalmente o terceiro e último livro da trilogia literária do Dinâmico Erre foi lançado. Na tarde de sábado, no estande da Academia Cruzeirense de Letras na 35ª Feira do Livro de Brasília, o novo episódio foi apresentado ao público e aos amigos que puderam adquirir esta edição independente, além de outros produtos como a camiseta e a caneca do Dinâmico Erre.


Quem apareceu no lançamento foi o próprio herói de capa, máscara e boné. Interpretado por Bruno Viana, o personagem apresentava o livro para quem passava e aguçava a curiosidade sobre o livro lançado.




O livro atraiu principalmente as crianças, e muitos pais levaram para seus filhos conhecerem, mas não somente. Adultos também queriam pousar com o herói brasiliense. Foi uma tarde muito bacana, mas faremos outros lançamentos para levar o novo livro ao público. Continuamos na Feira do Livro até este domingo.


domingo, 2 de junho de 2019

Lançamento: Dýnamis Érrion 3


Finalmente confirmado! O terceiro e último livro do Dinâmico Erre será lançado durante a 35ª Feira do Livro de Brasília. Anotem em suas agendas: dia 14 de junho de 2019.
O lançamento se dará em dois momentos.
Primeiro, às 17h30, no Espaço do autor II: local destinado para lançamentos de autores de Brasília e do Entorno.
Depois, às 20h, no estande da Academia Cruzeirense de Letras, onde todos os outros livros e revistas do Dinâmico R estarão à venda ao longo de toda a Feira.

Dýnamis Érrion 3, de volta ao planeta Rôfega. Quatorze anos após o segundo livro, saberemos o que aconteceu com o herói de capa, máscara e boné ao longo destes anos.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Noite de autógrafos do SinPro


Como professor de História da rede pública do DF, participarei da noite de autógrafos promovida pelo Sindicato dos Professores em comemoração aos seus 40 anos. Será na noite de terça-feira, na sede do sindicato, e na ocasião estarei com todos os meus livros disponíveis à venda.

Dýnamis Érrion, a história das aventuras do Dinâmico R (2018)
Almanaque de 20 anos do Dinâmico R (2004)
Dýnamis Érrion 2, em busca do poder (2005)
Voa gavião, a trajetória da ARUC (2007)
Cruzeiro, retratos de sua história (2010)
Oficina Histórico-literária (2011)
Catálogo da Casa da Memória do Cruzeiro (2017)

Aguardo por vocês!

domingo, 16 de dezembro de 2018

Diário da Edição de um Livro (parte 1)

* Reprodução de texto publicado no Almanaque do Dinâmico Erre (2004)

O livro é bem grande, mas sabia que bolar tudo isso não foi o mais difícil? Conheça aqui os bastidores de sua confecção, em quatro momentos. (As duas partes finais serão publicadas em outra ocasião)

Escrevendo o Livro
Setembro de 96- Após passar o primeiro semestre elaborando e pesquisando as bases para um rascunho, comecei a escrever manualmente o livro. Sabendo do problema que é a reprodução de textos manuscritos, parei para aguardar a aquisição de um computador. Felizmente não demorou muito e ele veio (um 386 SX).
Outubro a Dezembro de 96- O computador funcionava numa boa, mas ainda não tinha um drive para disquetes de 3,5 pol, e eu ia salvando o texto no HD. Quando enfim adquiri o drive e o instalei, o CPU não quis reconhecê-lo! Eu ainda não sabia mexer direito com PC's, e não tinha muita assistência. Acabei entrando no setup da máquina, e além do problema persistir, travei o computador inteiro! A solução absurdamente simples, demorou alguns meses para chegar ao meu conhecimento. Nesse ínterim, cheguei a temer pela perda do que já havia produzido. Foi por pouco!
Fevereiro de 97- Com a chegada do fim do semestre letivo, tive que dar um tempo e me dedicar aos trabalhos para a UnB. Concluída essa etapa, voltei ao trabalho.
1º semestre de 97- Eu morava nesta época, na Agrovila São Sebastião, e os aparelhos da casa estavam sempre sujeitos a constantes quedas de energia, e para se evitar problemas, colocaram o único estabilizador da casa no televisor da sala. Se eu quisesse ligar o computador, tinha que pegar o estabilizador e retirar o adaptador da tomada, que era aparafusado. Com pressa, arrisquei uma única vez ligar sem o estabilizador. Esqueci que ele funcionava como transformador também e o computador estava em 110V. E veio aquela fragância de queimado no ar, após o susto com o estouro que o antecedeu!
Junho de 97- A esperada mudança para o Cruzeiro, onde eu morava antes, e onde criei o Dinâmico Erre foi acompanhada de uma nova fonte para o computador. Depois de instalado em meu novo "velho" quarto, nada de funcionar. Mais uma semana se passa até descobrir que ele estava em 220V, e estando ligado ao estabilizador precisava estar, agora sim em 110V. Mas deu tudo certo e ele ligou sem explodir!
Junho de 97- Mais uma vez, chegava o fim de semestre na UnB com muitos trabalhos a fazer. A volta ao livro é adiada mais um pouco.
Julho de 97- FÉRIAS! Eu logo retomo a edição, mas morando de novo na cidade onde fui criado, ficava difícil me infurnar no quarto e digitar. Diminui bastante o ritmo dos tempos de Agrovila, com exceção de um domingo inspirado onde consegui escrever quase a mesma quantidade do que já estava feito! Nessa mesma época, entrei em contato com meu amigo desenhista, para providenciar as ilustrações. A idéia era de se fazer umas vinte coloridas até setembro.
Agosto/Setembro de 97- Voltam as aulas, mas dou preferência ao livro e vou agilizando a obra. A meta era registrar a história no dia do meu aniversário, e ainda inscrevê-la na primeira edição da Bolsa Literária, mas nem os textos, nem os desenhos tinham como ficar prontos antes disso.
Setembro de 97- O texto é concluído exatamente no dia do meu aniversário, e os desenhos uma semana depois. Mas o prazo para a inscrição já havia passado! Os desenhos iam ser "scanneados", e eu acabei aproveitando para revisar o livro. Queria agora imprimir, mas faltava impressora. Quando consegui finalmente, o texto veio com erros de formatação, letras comidas, e páginas em lilás, roxo, rosa. Sem um scanner, os desenhos andaram por várias mãos até serem digitalizados, para que eu os colorizasse. Quando trouxe os disquetes para casa, o computador não conseguia ler. O formato não era suportado! Consegui converter as figuras, para um formato compatível, mas a idéia de reimprimi-los com cor era um sonho distante.
Final de 97 e início de 98- Queria registrar o livro, e o local para isso é a Biblioteca Demonstrativa de Brasília. Ela fechou para reformas, e a previsão para reabrir era sempre empurrada mais para frente. Aproveitei para ir fazendo modificações no livro e pertubar um pouco mais o desenhista e refazer alguns desenhos, que na pressa, não ficaram muito bons.

Participação no Concurso
Julho de 98- Pânico! Sai o Regulamento para a Bolsa Literária. Eu não tinha imprimido a cópia revisada, e para o concurso era preciso ter 5 cópias, com espaçamento duplo, o que dobrava o tamanho do livro. Se antes eu precisava imprimir 100 páginas, agora precisava de 1000, o quanto antes possível! Como além do texto havia muitos desenhos, o total ultrapassaria o limite de 300 páginas por cópia, por isso descartei as figuras que já estavam prontas, e corri atrás de novos desenhos para ilustrar apenas as entradas de cada parte do livro, ao invés de um desenho por personagem principal. O tempo foi muito escasso, e só foi possível fazer um pequeno pôster com a turma do Dinâmico Erre em PB. Quanto à impressão, deu um trabalhão mas consegui um local onde pudesse fazer as cinco cópias de duzentas páginas. Com elas na mão, gastei um dinheirão com o SEDEX, que é cobrado pelo peso, mas consegui enviar a tempo de participar da Bolsa Literária 98.
Outubro de 98- Finalmente a Biblioteca reabriu e pude registrar o livro. O que antes me parecia ser uma contribuição opcional, teve de ser cobrado para ajudar nos custos da reforma. Fui em casa e voltei no mesmo dia para resolver logo isto. O certificado chegou no mês seguinte.
Dezembro de 98- Era dia 10 e eu estava eu estudando na Biblioteca do Cruzeiro, quando um garoto pergunta pela janela se havia um Rafael no lugar, pois estavam chamando no orelhão em frente à biblioteca. Achei estranho, mas fui atender: era meu pai com a notícia. EU TINHA VENCIDO O CONCURSO! Agora só precisava levar o disquete com o arquivo para a Fundação Cultural. Detalhe: eu não estava com ele. Tinha emprestado a um amigo para ele ler, e não sabia onde ele morava. Peguei a bicicleta e fui voando para a UnB tentar encontrá-lo, mas nada. Soube que ele morava na 305 Norte, e fui para lá. Após perguntar para porteiros e moradores se alguém conhecia a pessoa através da descrição que dei, me indicaram um bloco, mas o porteiro disse que ninguém morava no apartamento indicado. Voltei a quem me indicou e disse para eu insistir pois ele tinha certeza, e de fato estava certo. O porteiro era novo e se confundiu; subi lá e peguei o disquete, para tirar uma cópia em casa e levar para a Fundação no dia seguinte. Uma semana depois houve a cerimônia de premiação, mas o prêmio e a publicação ...

20 anos da Bolsa Brasília de Produção Literária

Era o ano de 1998 e a Secretaria de Cultura do Distrito Federal promovia um concurso para publicação de autores brasilienses. Aquela seria a segunda edição da Bolsa Brasília de Produção Literária.
Eu era estudante de História da UnB, e tinha como meu maior passatempo escrever as histórias de um super-herói de capa, máscara e boné. Eu criara o Dinâmico R ainda quando criança e continuava sonhando com a publicação de minha revista em quadrinhos. Esse era o sonho desde a infância.
Escrever as histórias eu escrevia, desenhar que era o problema. Uns cinco anos antes eu havia conhecido o Fábio Gords, e começaram a surgir os primeiros desenhos, mais pensando em fazer um jogo de vídeo-game, mas os quadrinhos eram a verdadeira meta.

Desenhar uma revista em quadrinhos, porém, mostrou-se não ser tão simples. Faltava experiência e conhecimento, embora eu fosse atrás, e consumisse livros teóricos como os de Will Eisner e Scott McCloud, além de vários títulos de HQ.

Da junção entre escrita e desenho que caracteriza uma uma história em quadrinhos, eu percebi que a escrita era onde eu conseguia fazer o meu personagem tomar forma. Fui elaborando cada vez mais, passando por várias versões, até chegar ao formato que se mostraria o definitivo em 1996, com o batismo dele agora, como o Dinâmico Erre.

Quando soube do concurso, cujo prêmio seria a publicação de mil exemplares, vi ali uma possibilidade. Comecei então a escrever a nova versão da saga. Isso porque eu já tinha uma versão anterior, escrita toda a mão em um caderno. Agora era preciso ir adiante e uma versão digital, quando computadores não eram tão comuns assim, foi tomando forma entre 97 e 98.


O fato é que no dia 10 de dezembro o resultado fora divulgado e eu era um dos vencedores. Uma cerimônia no Foyer do Teatro Nacional, no dia 16, entregou os certificados aos quatro premiados, e eu era de longe o mais jovem de todos. Aos 21 anos eu me sentia como se tivesse ganhado na loteria, ou recebido um Oscar. Uma data marcante na minha história de vida, que não poderia passar em branco hoje, vinte anos depois.

 







Os detalhes de como foi a produção do livro estão publicados em outro post: Diário da edição de um livro. O livro efetivamente levaria bem mais tempo, mas viria.